As Músicas do Maquinarama – Maquinarama

Capa_Maquinarama

E já se foi metade do CD e nós ainda continuamos aqui, vivos e presentes!

Dessa vez, os fãs que tomaram para si a missão de analisar Maquinarama, faixa que dá nome ao álbum e sétima a chegar nos ouvidos famintos dos fãs no longínquo ano de 2000 foram o Luiz Gustavo Pierangeli e a Sara Conceição. Vamos ver o que eles aprontaram?

Para o LG, Maquinarama não poderia deixar de ser a música que mais reflete o “feeling” desse álbum, com sua letra rápida, corrida e supreendente, para mim reflete bem o que os meninos quiseram nos passar ao gravar o disco.

O ritmo em si já é super contagiante, sendo impossível ficar alheio à essa melodia, ouvir sem se mexer como um roqueiro, seja pela guitarra dominante em certos trechos, ou pelo estilo mais agressivo que Samuel começa a cantar. A letra ainda nos remete a reflexões do dia a dia como “A Felicidade é Deus que soletra”… e nos faz pensar que devemos continuar, sem parar, pois mesmo que a vida contenha “cenas de perplexidade”, há momentos felizes como “parar na esquina por 2 minutos para roubar dela beijos curtos”…

Faz também críticas às máscaras de hoje em dia, que posam de boas pessoas mas não seguem o que dizem… Bem “Chora, se emociona e posa pra revista” mesmo…

Tudo isso faz Maquinarama ser particularmente uma de minhas músicas favoritas, e é daquelas que tem que ouvir bem alto no som do carro, até por que a faixa seguinte é Rebelião, e você continua na pegada rock do álbum.

______________________________________________________________Já a Sara diz que quando vê  o título dessa música, o que logo lhe vem à mente são máquinas, ferramentas, sistemas, o que é uma metáfora perfeita para simbolizar o contexto da faixa 7 do álbum. Com certeza esta é uma das músicas mais realistas e atuais do Skank – apesar de já ter mais de 10 (!!) anos circulando por aí.

A melodia é simplesmente incrível, casa perfeitamente com a ideia que a música passa, devida frenética e correria. A forma como ela “corre” é totalmente diferente de qualquer outra música que eu me lembro de ter ouvido, é inédita, singular, uma agradável surpresa. E a voz soa urgente, ansiosa, como se a mensagem que precisa ser passada fosse tão importante que não se pode perder tempo.

Em minha opinião, a grande “sacada” da música está exatamente em saber apresentar muito bem o cenário confuso e caótico ao qual muitos acabam se acostumando, mesmo sem querer.

A impressão que tenho é de uma conversa entre um homem e um motorista de táxi, numa corrida que acaba rendendo muito mais do que dinheiro. Ao mesmo tempo em que tem pressa, ele começa a compartilhar uma série de ensinamentos, como num desabafo. Num passeio que parece ir do nada pra lugar nenhum. “Motorista, siga aquela lua, aquela placa, aquela seta, aquela rua / Pois a minha sorte não é tão certa como a sua, mas atravessa esse beco e continua”. O uso repetitivo do pronome aquela reforça a tese de que ele não faz ideia de pra onde ir. Ele apenas segue. Por mais que se possa ter a impressão do desenrolar de uma história de amor por trás de toda a desordem, não parece ser uma história com futuro, nada mais do que um ardoroso desejo.

Ao mesmo tempo em que o eu lírico está envolvido, ele está temeroso e aflito. Como se quisesse viver a experiência, mas não em sua plenitude, por medo de se machucar: ele sabe como o amor pode ser doloroso. Podemos observar isso no trecho. “E na esquina me dê dois minutos para roubar à ela beijos curtos. Que o amor derruba viadutos, e vai e vem com seus modos brutos”. Ele não quer tempo, nem intensidade. Apenas um momento breve e objetivo, quando tudo termina antes mesmo de começar. Como toda boa música, Maquinarama consegue colocar amor onde aparentemente não há – ou não poderia haver.

Como trecho favorito, destaco: “Que a confusão humana se tornou ilícita, chora e se emociona e posa pra revista”. Que afirmação poderia ser mais verdadeira que essa? Afinal, a confusão humana está aí explícita, pra quem quiser – ou não – ver. É a inversão de valores. E até que ponto podemos acreditar no que os outros relatam sentir? Difícil, senão impossível, dizer.

Hoje em dia tudo parece tão forçado, ilusório. Uma vida de aparências, de impressões, daquilo que se quer parecer porque é o que fica bem nos holofotes, e é agradável de se ver. E volto a dizer: essa música foi escrita há mais de 10 anos!

“Esse filme, pensando bem, é impróprio pra qualquer idade.” Não importa o quanto somos maduros, há certas situações com as quais não podemos, nem devemos, nos acostumar. E que nem sempre conseguimos entender ou lidar tão bem quanto gostaríamos. A meu ver, aí está a essência desta bela canção.

 

Vai lá no Grupo dos Skankarados no Facebook que tá acontecendo a seleção de quem vai fazer a análise de Rebelião, oitava letra do disco. E aí, vai encarar?

Abraços e beijos,

Equipe Skankarados

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